segunda-feira, 15 de abril de 2013

Quinze de abril

 









Eu sempre pensei muito em como seria a sensação de sair do nosso corpo e olhar a gente por fora. Fazer um tipo de julgamento à distância sem nenhum pré-conceito.
Descobrir que desde os treze anos eu me gastava muito com palavras. Descobri que muitas destas palavras eu queimei, muitas eu perdi e outras eu não assumi de propósito.

Juntei tudo isso em um só dia, misturei com chá de erva doce por que o café estava frio, cobri com requeijão por ser domingo, deixei esfriando por quinze horas e descobri que é infinita a sensação de se olhar por fora e encontrar um monte de gente que se parece com você.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

pornografia. erotismo. amor. sexualidade















"A emoção estética deixa o ser humano num estado favorável à recepção de emoções   eróticas. A arte é cúmplice do amor. Tire o amor e não haverá mais arte. "    -  Rémy de Gourmont





Uma hora elas acabam
A gasolina.
Talvez ela seja um pouco birrenta ou eu escreva por motivos de falta

De educação eu pedi licença para sentar
na janela
Eu sempre sento na janela.

Ele é grande e lhe faltam cabelos
Eu sinto frio e ele sua

Minha perna esfria
Ela já disse pra não trabalhar com as pernas suadas

De frio soam as sirenes
Tremendo retomam o ar

Condicionando o meu espaço
Do lado do gordo careca

De saber que estou com frio
Parei pra me arrumar
Fim da linha resolvi descer
Uma vez de cada hora

De vez em quando é fim.

Duchamp esteve aqui



ESCRITA DE INVENÇÃO

Achei a aula de escrita de invenção do Negrão muito boa, eu estava sentindo falta dessas aulas que envolviam literatura e escrita. E neste dia, mais uma vez eu tive contato com o estudo da problematização da escrita. É uma idéia que desmistifica muito o segmento do artista\poeta gênio. Eu já tinha escutado esta conversa dentro da escola em outras aulas e com outras pessoas, percebi que muitos lembram da vida artística-romântica ou o mito dos artistas gênios que viviam no século XX.

Todas estas discussões me fizeram perceber que às vezes eu me colocava na posição daquela que espera as coisas chegarem. Eu dependia (e ainda dependo) disso, como se um trabalho fosse brotar pronto da minha cabeça, assim do nada. Mas é claro que as coisas brotam, porém existe uma outra linha criativa que é construída através do trabalho. “A vida é muito curta para ser pequena” e trabalhar significa ter trabalho!!

As vezes é preciso correr atrás das coisas que nos dão sinais e perceber que elas estão ali, nos dando sinais!! Nada nasce da nossa cabeça pronto e de forma brilhante. O modo como recebemos aquilo, como escrevemos, reescrevemos e damos sentido, é um processo muito importante que vai dizer mais do trabalho do que simplesmente esperar as coisas brotarem com toda sua grandeza e geniosidade.

Outra coisa importante que foi falada é a prática do esforço e do desgaste na escrita. Estes costumes correm atrás do trabalho e andam junto com a inspiração. Por exemplo: nesta primeira aula foi proposto o exercício de escrita automática, por cinco minutos nós escrevemos coisas que vinham à nossa cabeça sem pensar, uma forma de escrita por impulso, é um trabalho difícil já que só a idéia de não pensar nos faz pensar que estamos pensando em não pensar. Pois isso mesmo o exercício é válido,existe um conflito entre a cabeça e o lápis e por estes esforços nós nos sentimos inspirados, podemos brincar sem perceber, e sem querer falar de amor porque estamos de fato sentindo o amor. É uma atividade que pode ser chamada de anti racional e Dadaísta.

Ainda nesta semana assisti a uma orientação onde falávamos sobre o que é arte! Isso é ou não é arte? Chegamos à singela proposição de que a arte é pensamento! E que a pergunta a ser feita não é o que é ou não é arte, mas sim ONDE ESTÁ A ARTE?!

É estranho quando coisas comuns convergem em uma mesma semana. Vi teorias sobre o romantismo dos escritores do século XX e muito trabalho saindo da minha cabeça, por um impulso que foi gerado de uma atividade que me leva a inspiração e não ao status gênio. Acredito que o nosso trabalho nos inspira e nossas inspirações nos fazem trabalhar.

Na aula criamos o texto da escrita automática e eu achei curioso perceber que aquelas palavras são carregadas de um ritmo que eu sempre tive. Os pontos finais são minimamente não calculados e vão se encaixando de uma maneira milimetricamente pensada. É complexo porque a gente ainda não consegue enxergar o limite do inconsciente medido com aquilo que a gente tem total razão e controle. O que quero dizer é que mesmo fazendo um exercício mecânico e pouco racional, eu continuei fazendo escolhas que diziam muito sobre o meu modo de escrever, nós nos desprendemos da razão para escrever mas a retomamos na hora do rearranjo e reescrita.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Rascunho




Encontrei vários rascunhos guardados aqui
depois de meses, voltar pra esse mundo roxo e alaranjado é estranho.
Ta tudo tão diferente que os rascunhos não fazem mais sentido.

muita coisa que escrevi não existe
muitas coisas não aconteceram
muitas coisas aconteceram e eu nem percebi

É bom voltar pra casa
Tinha me esquecido como é confortável sentar nesse sofá branco
pensar em escrever sobre essa grama seca e deserta.

Melhor ainda é ver como tudo mudou
que um dia, eu não gostava de efeitos prontos de iphone e hoje não me importo
que um dia eu me importei com meu trabalho de sardas e hoje eu não gosto.
que eu pensava em produzir tando, que eu não produzi nada
e eu penso hoje, que o mais importante é fazer.
sem pensar
mais tesão e menos fala






A falta que me faz

O filme começa com um suicídio que acontece no vilarejo e todos começam a comentar. Um homem se enforcou por causa da amante, e as meninas têm logo uma reação de que nunca se matariam por algum homem., outra já diz que tentou se matar. Vemos que a figura masculina é como um fantasma para estas meninas, duas estão grávidas. Outra é mãe solteira. Talvez alguma pense em fugir. Mas ninguém quer se casar. 



A falta que me faz é um documentário feito pela realizadora mineira Marília Rocha onde mostra a vida de cinco mulheres que vivem em uma pequena cidade peto da Cordilheira do Espinhaço, ela nos mostra a vida dessas pessoas que passam de angústias à tristezas, me fazendo pensar coisas sobre vida, futuro, desesperanças e anseios.
Marília constrói o filme de uma maneira que a relação das personagens com a câmera é muito próxima e isso aparece de uma maneira muito evidente. Ela ultrapassa os limites de câmera e personagem e essas meninas se sentem muito confortáveis nessa relação. Para que a história se desenvolva, a diretora instiga as personagens de uma maneira muito sutil, deixando para elas a condução da história contando seus detalhes, pedindo concelhos e sem muita pretenção criando uma narrativa para o filme.

Podemos pensar este filme como um documentário pela maneira como a vida deste povoado é mostrado, é carregado de carascterísticas e tregeitos muito caracterizados. O documentario é construido mais pela relação de equipe com o povoado, do que com a história propriamente dita. Esta relação faz o documentario, mostrando de muito perto coisas que talvez seriam impossiveis de ser reproduzidas de uma outra maneira. O laço estabelecido ali vai além das câmeras, mostrando que documentar é se aproximar tanto ao ponto de mostrar a história da outra pessoa, sem que ela perceba que está também construindo a história de um filme.

O fato de o filme nos mostrar uma narritiva não tira o potencial de documentario. Percebemos um início, uma apresentação das pessoas, nos envolvemos com as histórias, descobrimos como acontece a relação entre as personagens e ficamos curiosos sobre como vai se desdobrar a vida delas. Os filhos que estão para nescer, talvez um casamento, uma mudança, algum abandono. Todas essas características nos fazem criar um historinha que nós sabemos que va além das 1h e 20 minutos de filme. Isso não descaracteriza o documentario, vimos nas aulas de Cinema Documentario que ele é construido da forma que o diretor achar melhor, e Marília descobre um jeito muito próximo para poder nos mostrar uma coisa muito sentimental e pessoal que são as angústias dessas meninas.

O jeito que elas se expressão, me faz pensar que a vida é um pouco sem propósito, um pouco perdida. Algumas estãos grávidas de namorados ausentes, algumas pensam em se casar, outras  só querem amigar. Outras nem querem saber disso, uma delas até chega a dizer que casar é por conveniência e não por amor.  Essa e outras falas mostram uma desesperança na vida dessas pessoas que acabaram de largar a adolescência e que já estão pensando em construção de família, futuro etc.
 Marilia diz que um fator importante no filme é a paisagem, diz que isso é tao forte quanto as histórias. Aquele lugar diz muito sobre as meninas, as montanhas. A paisagem está nelas, na história de família, no futuro delas, a relação delas e também é uma razão pessoal da diretora.



Marília Rocha






quinta-feira, 19 de abril de 2012

#projeto final - Apeles II

            MAS NO FINAL TODOS APRENDEMOS QUE O MELHOR É NOS ENTENDER

  
Nas pesquisas sobre sardas encontrei aqui um episódio do desenho americano South Park que trata, assim como o livro de julianne moore, sobre bullying nas escolas com as crianças sardentas.
O desenho é bem sátirico e até pesado, ele tem essa característica humor negro com crianças de uma escola.
Uma coisa interessante no desenho é que a criança que começa a descriminar as ruivas-branquelas-sardentas dizendo que é uma aberração e anomalia da natureza, acaba 'adiquirindo' sardas da noite pro dia - outras crianças o transformam em sardento pintando o cabelo e o rosto.

Virando um ruivo sardento, Cartman começa a entender o preconceito que essas crianças sofrem na escola, sendo chamadas de sujas e sendo proibidos de comer no refeitório da escola, ele cria uma associação de ruivos sardentos para defender o lado deles, mostrando que são injustiçados pelos outros. O que acontece é que essa assiociação vira como se fosse um partido nazista de ruivos -liderados por ele- que tem o propósito de eliminar as outras pessoas que não pertencem à raça ruiva-sardenta.


No fim das contas ele descobre que não é ruivo e tenta reverter a situação, já que ele seria um dos executados por não ser ruivo, e como um bom líder ele convernce os outros que devemos ser iguais com uma música: "de mãos dadas nós podemos viver juntos, ruivos ou não, é tudo a mesma coisa. Preto ou branco. Marron ou vermelho, não devemos matar uns aos outros. Porque é bobeira, de mãos dadas, nós podemos viver juntos. Viver juntos!! Não deveríamos matar uns aos outros porque somos tudo a mesma coisa





É um desenho que brinca com a relação que temos com a diferênça dos outros e como a situação pode mudar se somos nós os 'portadores' da diferênça. Ou seja, todos nós!Que somos tão iguais pelas diferenças e aparências


aqui você assiste ao desenho completo





















meu pai disse que cada sarda é um beijo de um anjo