sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Exposição Relâmpago

Grupo de montagem e acervo.

No nosso grupo temos discutido várias questões sobre as 'artes' e  a maneira como elas se apresentam. Como são guardadas, como são cuidadas, se acontessem da maneira adequada e se todos estes recurssos estão valorizando a obra.
Já visitamos o museu Inimá de Paula no centro e o sesc Palladium. No museu haviam duas exposições, uma 'fixa' dos quadros do Inimá e a outra era a do FADE, uma exposição interativa.
Depois das visitas conversamos sobre a dificuldade de  fazer uma exposição interetiva e como deixar isso claro pra quem visita. Se pode tocar, como isso deve acontecer, como fazer quando dentro de um mesmo espaço algumas coisas são para tocar e outras não.
Percebemos como é importante a disposição dos quadros dentro de um espaço, tanto quanto a iluminação deles e até um isolamento impressindível ou não intencional. Qual é o efeito de cada elemento na composição de toda a exposição.


Neste grupo estamos estudando e planejando muitas coisas, e em uma das aulas a Sylvia propôs uma divisão da turma para que muitas coisas fossem adiantadas de uma só vez. Com essa divisão eu entrei no grupo que recebeu o desafio de montar uma exposição ralâmpago usando o nosso acervo - que é uma das coisas que estamos trabalhando-
Analizamos alguns trabalhos e decidimos escolher um da turma passada que não foi exposto na Mesa de Trabalho. Escolhemos um trabalho de fotografia e poesia que se chama Memória e Miragem. Medimos cada quadro, separamos os vidros dos porta retratos para não pesar na hora de colocar na parede, já que só poderíamos usar fita crepe, e fomos procurar um lugar legal para montar.
Vimos que podíamos usar o sofá para chamar a atenção e montar uma salinha onde os porta retratos estariam expostos. Viramos ele de frente pra parede, penduramos os qudrinhos pensando em uma simetria que os fizesse conversar com o espaço, colocamos o 'grande livro' em uma mesa e pronto. Foi montada a exposição relâmpago no primeiro horário para ser exposta durante o intervalo.

 
 
 
 
 


Assim como a importância do grupo de montagem, é muito bom a gente se sentir mais próximo dos trabalhos, é bom pensar em cada elemento. Ficar em um posto que seja além do ser expectador. Ali estamos sendo produtores, criadores, admiradores e articuladores dos nossos trabalhos. 

Cabra cega III

Expor

Ideias
Desde o começo a ideia era elaborar um trababalho que culminaria em uma exposição, uma coisa que é muito mais do que colar as fotos na parede. A gente precisava saber como queriamos que nossas fotos fossem mostradas para as outras pessoas, quais elementos usariamos e como iriamos fazer para que tudo acontecesse. 




 A primeira coisa foi decidir o nome da exposição e dos ensaios, fizemos um brainstorm durante aquelas aulas off-laboratoriais, e dali saíram muitas coisas produtivas. 

O nome do nosso ensaio veio da ideia de padronizar essa cegueira que de formas mais sutís atinge a todos. Vários nomes e muito bons apareceram.


 


No meio de tantos escolhemos Cabra Cega.





Depois escolheríamos como expor as foto no espaço da escola. No dia dessa discução eu faltei de aula e meu grupo teve a ideia de usar vidros sobre as fotos para que as pessoas intervissem nas fotografias, escrevendo, desenhando ou colorindo com canetinhas. 
Gostei muito dessa interatividade e sabia que funcionaria muito bem por ser uma coisa bem direta, fazendo com que a pessoa perbeba melhor os detalhes das fotos e claro, a grande diferênça entre o preto e branco e o colorido.


Montagem
Além de ajudar os outros grupos a recolher e usar os materiais, tinhamos que procurar vidros e mesas para usar no nosso ensaio. Essa parte foi bem fácil de resolver.
A turma de fotografia decidiu fazer umas fotos extras de dentro do laboratório documentando o processo de revelação, junto com uma mesa 'auto-explicativa' onde estaríam expostos os materiais que usamos para revelar. Todos os químicos, as bandejas,papéis e etc


Foto da mesa do laboratório

Expomos durante os dias 06/10 e 07/10. 
As pessoas pareciam gostar muito da exposição como um todo e também do nosso trabalho. Muitos elogiaram e interagiram com os vidros.






quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Cabra cega II

Revelar

Depois de fazer as fotos, iríamos nós mesmos revelá-las e ampliá-las no laboratório da escola. Meu grupo era o que havia mais integrantes e fomos os últimos a revelar. O processo da turma toda levou quase três semanas.
Revelar é um processo demorado, que precisa ser feito com calma e paciência. Algumas vezes é preciso voltar na mesma foto várias vezes para corrigir a luz em um só ponto por exemplo. 
Em algumas situações o ampliador parou de funcionar e foi preciso fazer a contagem de cabeça, o que atrapalharia na precisão do tempo.
Fomos o último grupo e até conseguimos passar pelo processo com muita facilidade. Podíamos revelar 10 fotos e o grupo todo escolheu quais seriam pensando em uma narrativa para o ensaio. Sabendo que às vezes uma foto que é muito boa mas que não se encaixa dentro do ensaio ficaria de fora para dar o lugar a uma outra foto que mesmo não estando tão boa, se encaixaria melhor dentro da exposição como um todo.





Laboratório
Ter estas aulas dentro do laboratório foi muito bom pra gente poder entender melhor como a fotografia funciona e que é importante a gente se colocar melhor dentro do nosso próprio trabalho. Decidir como fazer as fotos, decidir qual exposição usar, como revelar, se aqui ou ali fica escuro, quanto tempo e porque usar as coisas.
Este processo na escola é muito completo, conseguimos participar de tudo: colocar o filme na bobina, preparar os químicos, fazer o processo acontecer, enxaguar o filme, fazer a prova contato, escolher as fotos, fazer as tiras de teste, ampliar as fotos, fazer, refazer, fazer de novo e mais uma vez. Requer muita paciência, mas é uma delícia. 
Durante estas aulas sempre temos referências de fotógrafos que trabalham com fotografia analógica e é muito importante levar isso pra fora do laboratório. Procurar na internet, ver as coisas fisicamente, pesquisar, questionar, aprofundar o quanto der. Isso aconteceu muito durante o tempo que esperamos os outros grupos trabalhar dentro do laboratório. A gente não ficava atoa, pesquisamos e discutimos muito e no meu ver estas aulas funcionam em complemento com as de dentro do laboratório, são tão importantes quanto e juntas são ideais.

Fotografias
Ampliei duas fotos, foi muito fácil e rápido eu conseguir o resultado delas. Fiz uma prova teste de cada e ampliei 'certo' uma de cada. 
As duas são fotografias muito duras - quer dizer que eram muito expostas, muito escuras por ter muito sol- e eu precisava fazer uma exposição de muito tempo no ampliador, usei 36 segundos em cada uma para fazer com que as texturas se destacassem na medida que eu queria.



Minhas duas fotos

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Cabra cega I

 Fotografar

Depois de um primeiro contato com a câmera analógica dentro da escola, saimos para fotografar em grupo com a proposta de produzir um ensaio. Fomos ao bairro Santa Tereza e lá ficamos um dia inteiro fazendo fotos.

Como fomos divididos em grupo, teríamos que pensar em um ensaio com um tema, uma narrativa, recursos, condições etc. Meu grupo escolheu falar sobre coisas que ignoramos e coisas ignoradas. Fotografamos nós mesmos e todos contribuiram para o resultado do trabalho. Nessa equipe, dar o clique era o de menos, trabalhamos bem em grupo, todo mundo colaborando na composição, discução e coisas técnicas na hora de fazer a foto, como a exposição. Não sabemos dizer "esta foto é minha" já que todos participaram ativamente do processo.
Joyce fotografou a minha ideia, que Filipe pensou a exposição, que Isabella e Hélio estavam compondo.... Era mais ou menos isso.


O dia estava ensolarado e não precisamos sair por todo o bairro procurando onde e como fotografar. Ficamos só na praça e soubemos usar este espaço a nosso favor pensando na textura e forma das coisas. Usamos pessoas e vendas para compor nossas fotos e fotografar ali nos levou a ter ideias de comportamento para compor mais a foto. 
Usamos o lixo, a banca de jornal, escadas, estátuas, brinquedos, areias, fumaça...e o resultado foi muito bom.

O objetivo do ensaio era falar sobre como em algumas situações nos colocamos como cegos, ignorantes, indiferentes. E como que nos multiplicamos fácil nessa cegueira, fazendo com que fiquem todos iguais, todos cegos, todos cabras.

sábado, 1 de outubro de 2011

Les Statues meurent Aussi



"Quando olhamos para as coisas, quando tocamos nelas é que começam a viver como nós, muito mais importantes do que nós, porque continuam. O cinzeiro recebe a cinza e fica cinzeiro, o vidro pisa o papel e se impõe, esse colar que você está enfiando... É um colar ou um terço?

- Um colar.

- Podia ser um terço?

- Podia.

- Então é você quem decide. Este anjinho não é nada, mas se toco nele vira anjo mesmo, com funções de anjo. – Segurou-o com forças pelas asas. – Quais são as funções de um anjo? 
(...)
– Veja, Lorena, veja... Os objetos só têm sentido quando têm sentido, fora disso... Eles precisam ser olhados, manuseados. Como nós. Se ninguém me ama, viro uma coisa ainda mais triste do que essas, porque ando, falo, indo e vindo como uma sombra, vazio, vazio. É o peso de papel sem papel, o cinzeiro sem cinza, o anjo sem anjo, fico aquela adaga ali fora do peito. Para que serve uma adaga fora do peito? – perguntou e tomou a adaga entre as mãos...”


                             Os objetos de Lygia Fagundes Telles


Quando um objeto perde o seu uso, e depois toma outro, ele no fim das contas é qual das duas opções? Os artefatos africanos que serviam para fazer uma conexão entre o mundo dos vivos com o mundo dos mortos, sofreu este processo de ‘mutação’. Foram roubadas através do colonialismo francês e agora são chamados de arte.

Seria justo tomar um artefato tão carregado de energias e significados e torná-lo inutilizável dentro de um museu, onde será contemplado com estranheza, vergonha, repulsa ou com os ares que as artes trazem às artes?
As estátuas também morrem, filme de Chris Marker, critica essa posição francesa de roubar estes artefatos e atribuir outro sentido, ignorando o seu uso natural. O filme trás ainda o questionamento sobre o envolvimento do homem branco com o homem negro e suas relações de trocas. Trocas sadias, trocas invasivas e o racismo. 

Vários pontos negativos foram levantados quando assistimos a este filme. É uma forma de imposição e exploração de quem coloniza, é um 'rebaixamento' de uma tecnologia à arte. Já que antes essas máscaras e estátuas eram usadas de fato, tinham um fim, um proposito que passa longe de um processo artístico. 
Porém, quando vimos e fizemos análises sobre essa discussão, encontramos os argumentos de André Malraux autor do livro As vozes do silêncio que diz que a museologização é a segunda vida de uma estátua, uma ressurreição. Essa apropriação francesa se justifica quando as estátuas e máscaras passam a ser peças de museus.

Concordo em partes, e penso que a museologisação também é um meio de informação. Eles abrigam, cuidam e também contam a história das 'artes'. Por exemplo, se este processo de colonização não tivesse acontecido desta forma, trazendo estes artefatos e o uso deles à tona, nós sequer saberíamos da existência desses rituais, que são muito diferentes do modelo eurocêntrico que é tão disseminado no mundo. 
Nós aqui não falamos da morte como eles falam, nós não tratamos nossos mortos como eles tratam. E se as pessoas não tivessem tomado conhecimento destas práticas, elas não saberiam que existe uma outra relação com a morte, muito mais tranquila, apaziguadora e menos medonha ou dramática. 
É estranha essa relação, e também muito complexa. Não é justo, mas tem um potencial de conhecimento muito importante. Não sei e nem devo dizer quem está certo ou errado, qual deveria ser o modelo, como tratar ou não os mortos. 
O mundo é heterogêneo e ter o conhecimento disso é o mais importante para que se respeite e seja respeitado.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Rodízio de Vídeo I



Estudos de plano.

No rodízio de vídeo foi proposto duas atividades diferentes. As aulas foram divididas entre os educadores e na primeira metade fizemos um estudo de planos com a Raquel.

Vimos as características dos planos e vimos alguns exemplos, como um plano sequência do filme Mon Oncle de Jacques Tati. Os planos são filmagens feitas sem corte, eles podem ser estáticos ou em movimento (Quando acompanham um personagem que está correndo, por exemplo). Vimos também um pouco de composição, enquadramento. Discutimos muitas imagens, vimos muita coisa e isso foi um dos pontos mais importantes do rodízio, eu gosto dessa reflexão sobre as imagens e as coisas que estão à cerca delas. 

Depois de muitas análises, a atividade era pesquisar um plano referência em casa e trazê-lo para um grupo onde seriam analisados. Depois escolheríamos um e reproduziríamos pensando em suas características.

Dentre vários que analisamos, escolhemos um que pensamos ter um potencial legal na hora da filmagem. Era um plano que começa em movimento e depois vira um plano estático (sem cortes), e o interessante era o jogo com o espelho trazendo para o grupo um potencial com reflexos.

Decidimos filmar no elevador da escola onde poderíamos ter uma imagem refletida e uma coisa legal com quem entra no elevador e pode ser visto dentro dele, e depois sem voltar pelo mesmo, aparecer do lado de fora, só que refletido na porta do elevador. 
Quando montamos os grupos de filmagem, foi legal perceber uma divisão de tarefas entre as pessoas em uma gravação mesmo que pequena, já que todas as participações são importantes para o produto final. Neste trabalho eu diria que fiquei na parte de produção. Pensando por onde as pessoas andariam, como abrir o elevador, dando suporte para o grupo sem deixar de dar palpite e participar claro, dos outros processos.



Rodízio de Vídeo II


Vídeo Pintura

Na segunda parte do rodízio, estudamos com o Leo, a vídeo pintura. Uma “técnica” nova de pintar através do computador. Como eu já havia tido aula de vídeo pintura na minha eletiva, foi uma pouco mais tranquilo, porque eu já tinha uma noção do que funcionava ou não com a pintura.

Nessa atividade usamos um software chamado Studio artist. E nas aulas percebemos que o programa não é um tipo de photoshop que aplica efeitos às imagens e nem um programa que faz aquilo que quer e você interfere pouco nos resultados.
Nesse trabalho nós percebemos melhor a nossa relação com o computador, pois podemos montar cada frame que é pintado pelo programa, e estudando ele nós podemos experimentar mais os pincéis, os tipos de tinta, a técnica e até apresentar um pintor para que ele tenha referência.

Depois desses estudos fomos para a parte técnica, que era capturar algumas imagens que tenham algum sentido poético para nós, e depois joga-la no software para ser pintada. Dentro do meu grupo de 5 pessoas, nós tínhamos três pessoas que faziam a eletiva de vídeo pintura, então foi muito mais tranquilo perceber o que funcionava ou não. Em termos de textura, claridade, profundidade, foco e desfoque etc...
Escolhemos falar sobre a dor, em específico a dor de dente de Paloma, a dor é uma coisa que incomoda e no caso do dente, era uma coisa que latejava, que parecia ir e vir . Fizemos um analogia com os pratos da bateria, que quando o usamos ele vibra e vai parando aos poucos. Então fizemos essa tentativa de gravar com os pratos e não funcionou muito bem, nem todos estavam agradando do trabalho e era uma coisa confusa e chapada em termos de luz.
No segundo dia, resolvemos usar um plano mais aberto, que valorizasse o espaço e os elementos. Fomos para dentro do estúdio e montamos uma composição com muito mais elementos, mas que o 'assunto' fugia um pouco do sentido da dor de dente.
Conversamos sobre a posição e a ação de cada um dentro do vídeo, usamos a luz artificial para poder dar um efeito com o toldo vermelho que fica dentro do estúdio e percebemos que era um potencial muito grande quando pintássemos o vídeo.
Gravamos, e levamos o vídeo para o software, experimentamos algumas pinturas, pincéis, tintas e vimos que essa que foi escolhida valorizaria mais o nosso trabalho. 

 




Frames do vídeo não pintado